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terça-feira, 20 de setembro de 2016

Bagan, a cidade dos três mil templos.

Sem dúvida alguma, a cidade de Bagan e seus belos templos, juntamente com o Shwedageon Pagoda em Yangon são os principais motivos para atrair tantos turistas à antiga Birmânia nos últimos tempos. Não que conhecer o povo dessa nação e aprender muito com sua simpatia e benevolência não sejam, por si só, motivos de sobra para uma visita, mas acontece que a grandiosidade dessas atrações torna tudo ainda mais fantástico e prazeroso, talvez, nas próximas linhas eu consiga transmitir o quão especial é esse lugar.
Amanhecer em Bagan no dia de saída dos balões - um espetáculo
Shwe zi gon pagoda bagan
Cheguei a Bagan partindo de Mandalay, no próprio hotel onde eu estava comprei as passagens de van com a empresa Ok Express por 8.000 Kyats e que me levaria até a cidade em pouco mais de três horas. Depois de algumas paradas, o trânsito meio louco e aprendendo cada vez mais os hábitos locais, cheguei a uma das cidades mais fantásticas que já visitei. A primeira impressão é que você regrediu uns 300 anos no tempo, ruas de terra batida, templos gigantescos no meio da cidade, muitas pessoas com roupas alternativas, turistas e locais, instalações pouco convidativas misturadas a hotéis de luxo e em meio a tudo isso uma grande quantidade de motos e bicicletas elétricas sendo guiadas por pessoas dos mais diversos tipos, buzinando para todos os lados e andando sem capacetes. A maioria delas, turistas, felizes, extremamente felizes por estarem percorrendo aquelas ruas em busca de todos os templos possíveis de se visitar. Não tem como não sentir uma animação contagiante ao chegar e se inteirar do clima do lugar.
Uma das paradas até Bagan - vamos de van
Em frente ao htilominlo temple 
Como já contei neste post, fiquei em um hotel mediano na parte de New Bagan, para muitos, uma região não muito boa, visto que a maioria das atrações estão em Old Bagan, mas nada que atrapalhe. Pensei um pouco no conforto pois sabia que a cidade era bem quente, e um hotel melhor poderia diminuir o cansaço dos dias por lá. Mal sabia, mas estava para começar uma das maiores aventuras que já tinha vivido em uma viagem. Sair de um lado para o outro guiando uma motinha, com mapa na mão, sem destino, procurando e admirando os diversos templos da cidade é sem dúvida algo impagável.
Muitos dos templos de Bagan ao fundo 
Alguma coisas básicas você precisa ter em mente ao visitar Bagan:
1º- A cidade é bem quente, usar roupas adequadas e se hidratar é bem importante.
2º- Conhecer todos os templos é humanamente impossível, a não ser que queira passar muitos dias por lá, afinal de contas, todos dizem que existem mais de 3 mil templos espalhados em áreas de fácil e difícil acesso.
3º- Sugiro que não deixe de alugar um meio de transporte, mesmo que seja uma bicicleta, mas alugue algo para se locomover pois muitos lugares são longe e o calor acaba com qualquer um. Acho que uma moto seria o ideal e está longe de ser uma tarefa difícil, quase todas as esquinas tem gente alugando, a maioria dos hotéis fazem o mesmo. Loquei uma bem simples, elétrica, e paguei 8.000 kyats por dia para duas pessoas.
Dhamma-ya-zi-ka pagoda
Do alto do Pya tha da Temple
4º- Para entrar na cidade é preciso pagar uma taxa de U$20,00 ou 25.000 kyats e não tem como negociar ou tentar burlar esse sistema, melhor nem tentar. No final, você vai entender que vale a pena, pois dessa forma terá passe livre em qualquer templo que quiser e por quantas vezes achar melhor, ande sempre com o seu ticket de pagamento, caso seja solicitado.
5º- Um dos passeios de balão mais famosos do mundo acontece nessa cidade, algo em torno de U$300,00 por pessoa, para muitos um valor irrisório ante tamanha beleza. Mas, se o passeio não acontecer, não deixe de ver o nascer do sol junto com a saída dos balões do alto de algum templo, eu assisti a essa maravilha do Pya Tha Da Temple e confesso ter sido um dos pontos mais emocionantes da viagem, quiçá da minha vida.
Nascer dos sol do alto do Pya Tha Da Temple
Saída dos balões visto do alto do Pya Tha Da Temple
6º- Não deixe de ver também o por do sol pelo menos um dia, os muitos templos ajudam a ter uma visão privilegiada, mas bom mesmo é assistir do alto do Shwe San Daw Pagoda, onde muitos, mas muitos turistas, se amontoam para esperar o momento certo em que mais um dia em Bagan se encerra.
7º- Fiquei por três dias conhecendo os templos maiores e alguns menores também e no fim, não deu nem pro gasto, o lugar é como um ímã, que não tem deixa ir, mas com o roteiro fechado, não tive outra saída. Se você puder, opte por mais dias, não vai se arrepender de forma alguma, a cidade fornece uma estrutura bem razoável para ficar até o momento que o espírito se der por satisfeito.
Pôr do sol visto do alto do Shwe San Daw Pagoda
Subida para Shwe San Daw Pagoda
8º- Muitos e muitos serão os lugares que você vai querer conhecer, talvez sinta-se tentado a conhecer tudo, porém os principais templos são o Ananda temple, Bu Paya (onde tem vista para o rio), Dhamma-ya-zi-ka Pagoda, Htilominlo temple, Mahabodhi Pagoda, Pya Tha Da (ótima visão do nascer do sol com os balões), Shwe Zi Gon Pagoda, Shwegugyi Temple e o Shwe San Daw Pagoda (para o pôr do sol).
Ananda Temple
Bu Paya Temple
Dhamma-ya-zi-ka pagoda 
Htilominlo Temple
Mahabodhi Pagoda
Shwegugyi temple
No mais, é conseguir um mapinha na recepção do seu hotel, começar a montar seus roteiros por dia, de forma que consiga ver o máximo possível, alugar seu meio de transporte e partir em busca de lugares que vão ficar por muito tempo na sua memória, aproveite bastante seu tempo e Bagan e viva cada momento nessa terra mítica e abençoada por Buda.  
Interior do Htilominlo Temple
Do alto do Tham bu la temple
Uma das entradas do Tham bu la temple
 Agora vamos rumo ao Laos no próximo post!! 


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domingo, 18 de setembro de 2016

O descanso merecido em Mandalay

Cheguei em Mandalay de ônibus partindo de Yangon em uma viagem de mais ou menos nove horas, num ônibus comum da empresa Yar Zar Tun Express, detalhe que eu e minha amiga éramos os únicos estrangeiros das quase 50 pessoas que faziam aquele trajeto. As passagens eu adquiri no hotel onde estávamos em Yangon por 11.000 kyats e chegando em Mandalay um táxi nos levou até o nosso excelente hotel, como já contei no post anterior. É claro que estávamos mortos de cansaço, chegamos no começo da manhã e como o hotel permitiu logo nossa entrada, foi a deixa para dormir e sobrar muito pouco tempo para conhecer a cidade e suas atrações, por isso, digo que em Mandalay eu só descansei da viagem, talvez a ida direto para Bagan tivesse sido melhor, mas já que tinha ocorrido dessa forma, paciência e fica a dica para a próxima.
Assistindo o pôr do sol em Mandalay
Mandalay Hill ao fundo
Depois do merecido descanso, saí em busca das atrações daquela única tarde que teria na cidade, pois no dia seguinte partiria para Bagan. De mapa na mão segui em direção ao Mandalay Palace, gigantesco complexo de templos da cidade, todo cercado por um fosso com uma área enorme, infelizmente neste dia o acesso não estava sendo permitido aos estrangeiros, e até hoje não sei os motivos, o guarda que nos atendeu não estava bem humorado. Pelo menos deu para caminhar nos arredores e assistir um belo por do sol através das pagodas maiores que existem dento do complexo.
Arredores do Mandalay Palace
Mandalay Palace
Pôr do sol através das pagodas do Mandalay Palace
Partindo um pouco frustrado segui pela lateral do Palace onde no fim da rua existia uma grande Colina com alguns templos na parte alta, sabia que se tratava de Mandalay Hill, fiquei ainda mais frustrado por saber que pelo adiantar da hora, não teria mais tempo de subir o monte e visitar os templos, mesmo assim continuei caminhando até a base da colina, onde também existia muitos outros pequenos e belos templos, construções interessantes com fachadas lindas, onde muitos birmaneses aproveitavam para passar o tempo e esbanjar sua rotineira alegria de viver.
Mandalay Hill
Região dos templos aos pés do Mandalay Hill
Uma das muitas e belas fachadas dos templos de Mandalay
Região dos templos aos pés do Mandalay Hill
Região dos templos aos pés do Mandalay Hill

No final da contas, foi só o que deu para conhecer, não diria que a cidade não tem atrativos, longe disso, mas preciso confessar que não podem ser comparados com as atrações de Yangon e principalmente de Bagan. Minha estada por lá serviu como um descanso e uma ponte entre as duas cidades mais importantes. Para aqueles que visitam o Myanmar com mais tempo, minha sugestão é que vá sim para Mandalay e explore a cidade, viste também o Inle Lake, região próxima e muito famosa, que tem tours oferecido diariamente por muitos taxistas locais. 
Arredores do Mandalay Palace
Região dos templos em Mandalay
Região dos templos em Mandalay
  Até o próximo post, com a última cidade do Myanmar!! 

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domingo, 28 de agosto de 2016

A cidade de Yangon e o templo budista mais bonito do mundo

O Myanmar é um país daqueles que você vai do ódio ao amor incondicional num piscar de olhos, foi assim comigo. Do mal humor da chegada e da comida apimentada demais até o encantamento total pelo sorriso fácil e gentileza de sua gente sofrida, que se desmancha ainda mais em cordialidade quando você os cumprimenta em seu idioma (mingalabar = olá) ou mesmo quando os agradece por algo (kyai zu be – lê-se “tchai zu bê).   
A fé do birmaneses no Sule Pagoda
Minha primeira parada neste país único foi em Yangon e assim que sai caminhando nas ruas, sob o olhar curioso dos locais, pude perceber o quanto esta nação sofreu durante seus anos de fechamento total e um governo militar autoritário, mas nada disso tirou a alegria dos birmaneses que trabalham incessantemente com suas inúmeras barracas pelas ruas da cidade.
Pelas ruas de Yangon
A primeira visita foi ao Sule Pagoda, um dos templos budistas mais antigos, segundo informações ele tem mais de 2.500 anos de idade e serviu nos últimos anos como importante ponto de encontro para os protestos antigovernamentais. Por lá a fé dos birmaneses é professada todos os dias nos mais diversos pontos de oração em frente as inúmeras e lindíssimas estátuas de buda, a maioria deles em ouro, assim como boa parte do templo.
Sule Pagoda em Yangon
Parte interna do Sule Pagoda
É proibido a entrada no templo usando calçados, você pode levar os seus nas mãos ou na mochila, caso contrário pode pagar um dólar e guardar, além disso, na entrada do templo são oferecidas flores por U$1,00 para ofertar a Buda, a compra não é obrigatória, mas eles vão insistir para você comprar. A entrada para esse templo custa 3.000 kyats.
Dando banho no meu Buda em Sule Pagoda 
Parte externa do Sule Pagoda
 Como o Sule Pagoda fica no centro da cidade, ali pertinho você pode visitar também o bonito prédio do City Hall e na lateral fica a Igreja Emanoel Batista e os prédios do Tribunal Nacional. Em frente está o Mahabandoola Park com um obelisco no centro, monumento  em homenagem à independência da Birmânia na época. Área muito legal para ser visitada e observar um pouco mais dos hábitos locais e por que não, se aventurar em alguma comida de rua das muitas barraquinhas.
Prédio do City Hall em Yangon
Mahabandoola Park e seu obelisco
Mahabandoola Park e Igreja Emanuel Batista ao fundo
Caminhando alguns minutos na direção oposta você chega ao Scott Market (Bogyoke Market), mercado local muito famoso e gigantesco, sem dúvida as melhores lembrancinhas e com preços bons você encontrará nesse lugar. Prepara-se para caminhar muito e num calor nada agradável, em meio a muitas pedras preciosas, comida de rua, tecidos dos mais diversos tipos e souvenires de forma geral.
Uma das entradas do Scott Market 
Por fim o Shwedagon Pagoda, para mim, o mais lindo templo que já vi na vida, seja pela suntuosidade do dourado que cobre o lugar, ou pelo seu tamanho descomunal, levei quase 15 minutos para dar uma volta completa na pagoda principal. Para entrar é necessário estar descalço e as mulheres precisam cobrir os ombros, e qualquer pessoa precisa estar com as pernas vestidas.
Escadarias de acesso ao Shwedagon Pagoda
Pagoda principal do Shwedagon
A entrada do templo custa 8.000 kyats, antes de chegar é preciso passar por uma área cheia de lojinhas vendendo os mais diversos souvenires, além de uma escadaria enorme, rodeada de mais lojinhas, li relatos de que tem um elevador para a subida, mas eu não encontrei, na verdade, nem procurei, preferi caminhar pelo entorno do templo que também é muito lindo.
Parte externa das escadarias de acesso ao Shwedagon Pagoda
Área de acesso ao Shwedagon Pagoda
Os birmaneses veneram e cuidam tanto desse templo pois segundo a lenda, é nele que se encontram as relíquias dos quatro antigos Budas e oito cabelos do Buda Siddhartha Gautama, conhecido como o “Supremo Buda”. Todos os dias a quantidade de monges e pessoas visitando o santuário é enorme, muitos rezando, meditando e alguns até dormindo nos pés das inúmeras estátuas de Buda, uma mais enfeitada e bonita do que a outra.
Pátio do Shwedagon Pagoda
Monges meditando e dormindo aos pés de Buda
A torre principal possui quase 100 metros e é rodeada por outras 64 pagodas menores, todas em dourado vivo. No topo, uma espécie de coroa onde estão penduradas mais de mil sinos de ouro e quase quinhentos de prata, em sua ponta tem uma esfera de ouro onde estão incrustrados milhares de diamantes e uma esmeralda de 76 quilates.
Torre principal do Shwedagon Pagoda
Pátio do Shwedagon Pagoda
Um lugar magico, mítico, cercado de uma crença muito forte. Fiquei até o pôr do sol e pude ver as cores do templo irem mudando à medida que o tempo passava, logo em seguida uma multidão passava com uma espécie de vassoura, varrendo de forma comunitária todo o chão. Ao redor da pagoda ainda tem varias miniaturas de Buda com os dias da semana, a tradição manda banhar o Buda do dia em que você nasceu, na dúvida, estava lá eu dando banho no de quarta-feira.   
Shweéagon Pagoda ao cair da noite
Shwedagon Pagoda
Dando banho no meu Buda em Shwedagon Pagoda
Limpeza comunitária dos pátios de Shwedagon 

A visita a Yangon pode muito bem ser justificada só pela ida ate o Shwedagon Pagoda, mesmo que você fique alguma horas na cidade, a escolha de uma visita apenas tem que ser a esse lugar incrível. Saindo do templo tomamos um táxi para ir ao hotel e depois para a rodoviária, conversando com o simpático motorista, que me achou a cara do Obama (muitos risos – isso aconteceu mais 3 vezes no Myanmar), ele nos disse que gastaríamos umas duas horas até a rodoviária, eu pirei, pois a recepcionista do hotel pela manhã havia me dito o mesmo e eu achei absurdo, para nossa sorte, o motorista acelerou nos levou ao hotel, pegamos as malas e em seguida ele nos deixou, literalmente, dentro do ônibus, visto que a rodoviária de Yangon é gigantesca e extremamente bagunçada. O gentil taxista ainda nos deu seu número de telefone, para que ligássemos para ele caso qualquer coisa nos acontecesse no Myanmar. Tem como não amar os birmaneses?!
Panorâmica do Shwedagon Pagoda
Shwedagon Pagoda
Até o próximo post com uma outra cidade do Myanmar!! 


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