sexta-feira, 17 de abril de 2015

Kyoto – uma cidade cercada por templos, montanhas e muita história

A "Cidade dos Templos" não recebe essa denominação à toa, são dezenas de templos espalhados por uma cidade muito bonita, secular e ao mesmo tempo cercada da habitual modernidade japonesa, isso já pode ser percebido ao chegar na estação central que é gigante e intensamente cheia, em qualquer momento que você vá. Na verdade achei a estação de Kyoto ainda mais tumultuada do que a de Tokyo. Talvez Kyoto seja o lugar no Japão onde você menos se sinta um estrangeiro, se é que isso é possível, a quantidade de turistas é a maior do país, todos em busca de visitar a antiga capital japonesa

Kyoto Tower - em frete a estação central
Entrada da estação central de Kyoto
Para facilitar sua vida o ideal é comprar o cartão diário para usar o ônibus urbano, ele custa 500 yens, algo em torno de R$12,00 e te dá a cesso ilimitado aos ônibus da cidade que te levam a quase todos os locais durante um dia inteiro, se seu intuito for conhecer muita coisa, essa cartão ajuda a economizar muito, visto que cada passagem de ônibus custa 230 yens. Como na última visita eu tinha passado alguns dias em Kyoto pude conhecer muita coisa, algumas delas queria voltar e outras que ficaram pelo caminho seriam vistas dessa vez.

Ônibus urbano de Kyoto
Kyoto Tower - vista a noite e por outro ângulo
Comecei pela estação central já apreciando a Torre de Kyoto e dali peguei o ônibus 5 para o templo de Fushimi Inari, de longe o que mais gostei na cidade, ele também é conhecido como Templo dos Mil Portões, devido a quantidade de toris que possui em seu interior, a área do templo é bem grande e toma bastante tempo, talvez uma manhã inteira seja o ideal para ir a todos os locais, se não der para ir em tudo, sugiro que suba pelo menos os primeiros lances de toris para uma vista maravilhosa de um lago na parte superior e da área do templo. 

Entrada de Fushimi Inari Temple
Fushimi Inari Temple
Parte interna de Fushimi Inari Temple
A cor dos toris dá um tom muito bonito ao local e a beleza do lugar deixa qualquer um maravilhado, sem duvida é uma bela maneira de começar a conhecer Kyoto e seus templos. Nos arredores existem milhares de lojinhas de omiyagi e uma iguaria dessa região, pardal assado no espeto. Não sou muito adepto dessas comidas exóticas.

Por "dentro" dos toris Fushimi Inari
Arredores de Fushimi Inari
Fushimi Inari Temple
Terminado em Inari retornei para Kyoto Station e de lá fui para o templo de Kiyomizudera, um dos que haviam faltado na visita anterior, talvez seja o templo mais famoso do Japão, confesso que esperava mais dele, enfim, é bonito e tal, a área nos seus arredores é bem bacana, mas me encantei mesmo por Fushimi Inari. Dizem que na primavera o espetáculo é bem mais bonito tanto de dia, quanto a noite, no entanto você mal consegue andar pelo local de tão cheio que  é, imagino que seja assim mesmo visto que fui no inverno e já era difícil transitar pela grande quantidade de gente.

Templo de Kiyomizudera
Do alto de Kiyomizudera
Kiyomizudera Temple
Como disse, o templo em si é muito bonito, a vista de cima é perfeita e quando se está na parte de baixo é possível perceber o quão grande é o templo e como ele todo é feito de madeira encaixada, simplesmente impressionante. E como não poderia faltar nos arredores centenas de lojinhas vendendo de um tudo.

Kiyomizudera temple
Vista de Kiyomizudera da lateral
Vista de Kiyomizudera de baixo
Arredores do templo de Kiyomizudera
Saindo de Kiyomizudera fui direto para Kinkakuji, o Templo de Ouro, visto que parte de sua estrutura é feita desse material, esse foi outro templo repetido, quis muito voltar pois na primeira vez o sol me deixou na mão e a vista não foi tão bela quanto muitos dizem que é, enfim, lá fui eu outra vez, e não é que o sol me deixou na mão outra vez, o que fazer!? Ainda assim, a visita foi bem legal, o templo é muito bonito e seus jardins rendem belas fotos e uma quietude sem igual, a menos que um grupo de chineses chegue no local, nunca vi gente mais mal educada, onde eles chegam o barulho chega junto, e como eles andam sempre em bandos, o barulho é multiplicado por 10.

Kinkakuji - o templo de ouro
Arredores de Kinkakuji 
Chineses à parte, o templo de Kinkakuji é um daqueles que não devem ficar de fora do roteiro de Kyoto, tudo muito bonito e bem conservado por lá. Creio que esses três templos que citei neste post são aqueles mais visitados na cidade, existem ainda muitos outros, alguns até em locais bem inusitados, mas é isso que faz da cidade uma das mais conhecidas mundialmente e desejada por todos.

Kinkakuji Temple
Kinkakuji Temple
Terminada a odisseia dos templos fui no fim do dia a duas avenidas bem famosas, Sanjo e Shijo, ambas com uma enormidade de lojas de todos os tipos, mas o melhor se concentra mesmo em uma gigantesca galeria no cruzamento dessas duas avenidas, como trata-se de uma estrutura coberta você pode transitar facilmente para todos os lados, a maioria das lembrancinhas de Kyoto você deve deixar para comprar aqui, visto que os preços são melhores que nos templos, a não ser que queira algo mais específico do local em que visitou. Outro atrativo dessa região também são os restaurantes, espalhados por toda a parte, os preços vão variar dependendo do que você quer. Minha dica é: se estiver afim de fugir um pouquinho da comida japonesa e quiser economizar também, tem uma rede de comida italiana chamada Saizeriya que está espalhada por toda a parte, lá e possível ter uma boa refeição completa por menos de R$20,00 e o melhor é que ficam aberto das 10:00 até a 5:00 do dia seguinte, atendimento excelente, no padrão japonês de ser, usei desse artificio muitas vezes e recomendo muito.

Galerias de Sanjo e Shijo Dori

Em determinados momentos você andando por essa região vai se deparar com o rio Kamogawa que corta a cidade de Kyoto, em alguns locais a vista e bem legal para apreciar ou até mesmo sentar tranquilo para tomar alguma coisa ou fazer uma refeição, na rua mesmo, num banco, enfim, no Japão é muito comum utilizar os locais públicos para fazer uma refeição, mesmo que seja um almoço comprado em um bentô, todos deliciosos, outra dica boa para almoçar com qualidade e por um preço camarada.

Restaurante do tipo Bentô - um melhor que o outro
Rio Kamogawa cortando a cidade de Kyoto
Até a próxima!! Aleh..

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quinta-feira, 16 de abril de 2015

Otsu - a beleza do lago Biwa e a "base" para conhecer o Oeste do Japão

No final do ano de 2008 fiz minha primeira viagem internacional e quis o destino que eu fosse parar no Japão, não preciso nem dizer que fiquei simplesmente fascinado com a Terra do Sol Nascente, tanto é que no final de 2014 estava eu mais uma vez partindo para lá. Assim como na primeira vez, fiquei a maior parte do tempo tendo a cidade de Otsu, capital da província de Shiga e que fica a menos de 20 minutos de trem de Kyoto, como base e local da maioria dos pernoites. Dessa forma, minha localização foi bem estratégica, com uma proximidade maior do oeste do país, onde está a linda região de Kansai, mas com ótimas  saídas para o norte, e tamb para o sul nos pontos mais distantes, tudo graças a conhecidos amigos aos quais sou eternamente grato por me propiciarem uma das experiências mais fantásticas da minha vida ao me receberem em sua casa.

Um dos muitos canais de Otsu
Mesmo sendo muito próxima da cidade de Kyoto, Otsu não chama muito a atenção dos turistas devido a baixa quantidade de atrações no local, no entanto, a cidade é muito bacana e com um clima mais de interior, sem perder claro toda a modernidade japonesa e como estava na casa de amigos pude andar bastante por lá e conhecer muito da cidade na qual já estava familiarizado devido a minha primeira passagem por lá em 2008, deste modo pude visitar alguns shoppings, muitas praças, parques, canais e muitas lojas. Porém,  o que chama mesmo a atenção é o Biwako, maior lago do país e que encontra-se não só nesta cidade, mas em boa parte de toda a província de Shiga.

Pelas ruas de Otsu
Otsu em dia de muita neve - 1º de janeiro
Parque de Otsu, próximo ao Biwako

Lago Biwa, o maior do Japão
             Talvez um dos melhores roteiros em Otsu seja alugar uma bicicleta e percorrer parte da margem do lago de um lugar a outro, ou até mesmo atravessando o Biwako por uma de suas muitas pontes, como não se trata de uma cidade tão grande, provavelmente você vai sair dela e chegar a outra, Kusatsu é uma delas e que também tem o lago como parte do seu cenário, passeio tranquilo sem se preocupar com a segurança que no Japão é 100%. Passe em um supermercado ou em um bentô (restaurantes que vendem comida em pratos prontos) e compre o que comer, em algumas de suas paradas faça uma refeição contemplando o lago e se perca o dia inteiro nessa maravilha natural do Japão.

Lago Biwa, o maior do Japão
Do outro lado da margem do Biwako, excelente caminhada
Lago Biwa, nas imediações de Kusatsu
            Outra atração muito boa de Otsu é o templo de Ishiyama Dera, por sorte fui convidado por um casal de senhores japoneses que acabei conhecendo na viagem passada para conhecer esse templo no natal, por se tratar de um país quase que em sua totalidade budista e xintoísta essa festa cristã não tem tanto significado assim para eles. Lisonjeado pelo convite eu pude conhecer um local que poucos turistas vão, trata-se de um templo pequeno mas de intensa beleza, sem contar que no dia que fomos o mesmo estava quase vazio e deu para apreciar tudo com calma e aproveitar bastante. O templo que foi construído na metade do século VIII recebe esse nome por causa das famosas rochas brancas que existem no seu interior, a tradução do japonês fica “Rock Mountain Temple” e ainda possui jardins muito bonitos, com flores que chamam muito a atenção, uma dessas flores foi batizada em homenagem a famosa escritora japonesa Murasaki Shikibu que começou a escrever um de seus mais famosos livros (The Tale of Genji) neste templo ainda no século XI, usando o cenário como inspiração para sua obra literária.

Entrada do templo de Ishiyama-Dera
Templo de Ishiyama-Dera
Templo de Ishiyama-Dera
Templo de Ishiyama-Dera
Área de acesso aos jardins de Ishiyama-Dera
Os jardins de Ishiyama-Dera

            Agradeço profundamente a esse casal de japoneses da família Saka que não só me proporcionaram esse passeio em Otsu, assim como um outro inesquecível em 2009 na vila de Shigaraki, famosa pela produção das lindas cerâmicas japonesas, além de terem ajudado muito durante toda a estada no Japão, gratidão eterna a essas duas pessoas e uma promessa de sempre que voltar à Terra do Sol Nascente passar por lá para vê-los e dizer mais uma vez: arigatôgozaimasu.

Visita a Shigaraki em 2009
Shigaraki: as famosas cerâmicas do Japão - visita de 2009
Shigaraki: as famosas cerâmicas do Japão - visita de 2009
As postagens do Japão apenas começaram, vem muita coisa por aí..

Até a próxima!! Aleh..

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